Nota: Yeshua (Jesus) jamais foi contra a Lei de
D'us, mas sim contra legalismos, obras da lei(*), leis humanas
tidas como de igual ou superior valor à Lei de D'us.
D'US ALERTOU PARA QUE NADA FOSSE ACRESCENTADA OU TIRADA DA
SUA PALAVRA (LEI): “Não acrescentareis à palavra que vos mando,
nem diminuireis dela” (Deuter. 4:2), E, QUANDO YESHUA (JESUS)
PRONUNCIOU AS PALAVRAS DOS VERSOS A SEGUIR, ELE ANULOU A LEI DE
D'US OU A TORNOU MAIS RIGOROSA, EXIGENTE, SEM ACRÉSCIMOS HUMANOS E
ENTENDIDAS NA REVELAÇÃO?
Mateus
5.17 Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim
ab-rogar, mas cumprir.
5.18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra
passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja
cumprido.
5.19 Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos
e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus;
aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no
Reino dos céus.
5.20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a
dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos
céus.
5.21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás ("LEI DE
MOISÉS"); mas qualquer que matar será réu de juízo.
5.22 Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se
encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que
chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe
chamar de louco será réu do fogo do inferno. 5.27 Ouvistes que foi
dito aos antigos: Não cometerás adultério ("LEI DE MOISÉS").
5.28 Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher
para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela.
EXEMPLOS de leis criticadas e
rejeitadas por Yeshua (Jesus), ou seja, leis rabínicas ou obras da
lei ou leis humanas acrescidas à Lei de
D’us
Os escribas
Os escribas tinham o trabalho de copiar as Escrituras à mão,
tomando um cuidado extremo para assegurar cópias perfeitas do
texto. Os sacerdotes e os escribas do tempo de Esdras eram
praticamente idênticos. Contudo, no tempo dos Macabeus, dividiam-se
em dois grupos distintos. Os sacerdotes passaram a formar o grupo
dos Saduceus. Os escribas, que eram chamados os Hassidim no
princípio do século II a. C., dividiram-se em dois grupos, sendo um
o grupo dos Fariseus.
Os escribas passaram a ser os peritos na Lei e eram conhecidos
como advogados e mestres da lei. Chamavam-lhes Rabis, que era um
termo de respeito. Eram extremamente zelosos pela Lei e pela sua
observância. Era de conhecimento geral que havia 613 mandamentos na
Lei ou Torá (os livros escritos por Moisés), embora nem todos
fossem muitos específicos. Para ter certeza de que a Lei era
seguida corretamente, deram-lhe interpretações e passaram essas
interpretações ao povo como tendo tanta importância como as
próprias Escrituras. Devido ao zelo que tinham, aplicavam a Lei a
todas as situações possíveis e imaginárias, criando assim centenas
de regras minúsculas e ridículas, muito difíceis de cumprir. Estas
regras criadas pelo homem eram conhecidas como “Lei oral”.
Podemos ter uma idéia de como a Lei oral funcionava se
repararmos, por exemplo, na lei que regulava o trabalho do Sábado
(dia de descanso). Os escribas formaram leis à volta do Sábado,
como se fosse uma vedação para o proteger. Por isso perguntavam: “O
que é que constitui trabalho?” Consideravam trabalho andar mais do
que 1 quilômetro a partir da povoação em que se vivia, carregar um
fardo ou até mesmo acender um lume. Quanto ao carregar um fardo,
procuravam determinar o que constitui um fardo. Chegaram à
conclusão de que um fardo era comida de peso equivalente a um figo
seco ou a tinta necessária para escrever duas letras do alfabeto
hebraico.
Mas havia sempre áreas de incerteza. Asssim, passavam horas
intermináveis a debater se era permitido, por exemplo, um alfaiate
caminhar um pouco com uma agulha espetada na roupa, ou se era
permitido usar próteses dentárias, ou se um pai podia pegar no
filho ao colo. Curar era também considerado trabalho. Era só
permitido se a vida da pessoa estivese em perigo. E, mesmo assim, o
tratamento só podia ser para evitar que a pessoa piorasse. (…)
No tempo do ministério de Jesus, a Lei oral acompanhava sempre,
obrigatoriamente, a Lei escrita de Moisés e era aceita como tendo a
mesma importância da Bíblia; em muitos casos era considerada mais
importante do que as Escrituras sagradas. Jesus não aceitava
isso.
No século 4 d.C. as leis orais foram reunidas numa forma escrita
e passaram a formar um documento conhecido como o “Misna”. A este
foi acrescentado um comentário conhecido como o “Gemara”. Estes
dois volumes têm o nome de “Talmud”.
Certa vez os discípulos sentaram-se para comer sem lavar as
mãos, não seguindo a tradição religiosa daquele tempo. Este lavar
das mãos era um lavar ritual, de purificação, não era simplesmente
por razões de higiene. Os mestres da Lei perguntaram a Jesus porque
é que os discípulos não viviam segundo as tradiões dos anciãos.
Jesus respondeu o seguinte:
“Bem profetizou Isaías (Is. 29:13) acerca de vós,
hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-me com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram,
ensinando doutrinas, que são mandamentos dos homens.’ Porque,
deixando o mandamento de Deus, retendes as tradições dos homens…”
Marcos 7:6-8
Deus não tinha ordenado esta tradição na Lei escrita. Mas, mesmo
hoje em dia, quando os Judeus ortodoxos lavam as mãos, pronunciam a
seguinte benção: “Bendito és tu, Senhor, rei do universo, que…nos
mandaste lavar as mãos.” Por que é assim? Explicam que a Lei oral
ordena que se obedeça aos Rab is e, ao obedecer aos Rabis, estamos
a obedecer indiretamente a Deus. Portanto a benção que pensam que
Deus lhes ordenou para quando lavassem as mãos é, de fato, uma
declaração da sua obediência à autoridade que crêem que Deus deu
aos Rabis, para decretarem novos mandamentos. Acreditam também que,
durante os 40 dias e 40 noites em que Moisés esteve no Monte Sinai,
lhe foi dada uma nova lei que era para ser transmitida oralmente,
que ficou conhecida como Lei oral. O problema com os decretos
rabínicos é que a própria Lei escrita ordena o seguinte: “Não
acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela”
(Deuter. 4:2). Os decretos rabínicos, fabicados pelo homem,
constituem um acrescentar da lei. Por isso é que Jesus disse aos
escribas: “E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento
de Deus” (Mat. 15:6).
Os escribas diziam que Deus rejeitava todos aqueles que não
conseguiam guardar a Lei, tal como eles a entendiam. Raciocinavam
que, uma vez que as pessoas comuns não podiam estudar a Lei, tanto
na forma escrita, como na forma oral, eram ignorantes daquilo que
Deus queria delas e por isso nunca conseguiam agradar a Deus.
Consideravam-se a si próprios como os únicos que eram dignos.
Devido a isso, tinham tendência a desprezar as pessoas comuns e
referindo-se a elas como “os pecadores”.
Os Rabis, que passavam a vida a debater pontos minúsculos da
Lei, falavam do “jugo da lei”, que o povo de Deus devia ter orgulho
em carregar. Mas esta Lei, como já afirmamos, não era a Lei que
Deus tinha dado originalmente através de Moisés, mas era a Lei
escrita juntamente com a Lei oral, sendo esta muito mais exigente.
Jesus criticou-os com severidade, dizendo:
“Ai de vós, também, doutores da lei, que carregais os homens
com cargas difíceis de transportar; e, vós mesmos, nem ainda com um
dos vossos dedos tocais essas cargas.” Lucas 11:46
Os escribas tinham tendência a desmoralizar as pessoas. A Lei
ficou tão difícil carregar que muitas pessoas desistiram
simplesmente de tentar guardá-la. Como devem ter acolhido com
alívio Jesus, quando Ele lhes disse:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu
vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que
sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para
as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”;
Mat. 11:28-30).
Os Rabis esperavam que os outros suportassem esta carga da Lei.
Mas eles nem sempre faziam isso. Jesus disse o seguinte acerca
deles: “…dizem e não praticam” (Mat. 23:3). Jesus criticou-os:
“Mas, ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que
fechais aos homens o reino de Deus; nem vós entrais, nem deixais
entrar aos que estão entrando.” Mat. 23:13.
Esdras, que era sacerdote e escriba, não tinha sido assim. Ele
mesmo vivera em estreita comunhão com o Senhor e exortara o povo a
voltar a Deus (Neem. 8:1-18). A grande tragédia quanto aos escribas
era que estavam na letra e não no Espírito. De fato a letra da Lei
mata. Tinham deixado de permitir que o Espírito Santo lhes falasse
pela Bíblia e tinham imposto as suas próprias tradições como um
filtro, pelo qual a liam. Eles próprios não estavam a receber a
benção que Deus tinha para eles e, além disso, estavam a impedir
que outros a recebessem.
Os Fariseus
Os Fariseus eram, ao mesmo tempo, uma seita religiosa e um partido
político. No tempo do ministério de Jesus formavam o grupo
religioso mais numeroso em Israel, sendo constituído principalmente
por Judeus comuns, muitos dos quais eram escribas. No tempo de
Jesus tinham uma grande influência dentro e fora do Sinédrio, que
era a assembléia que governava os Judeus. De tempos a tempos
colidiam com as autoridades romanas, mas, em geral, deixavam nas
mãos de Deus a questão de quem devia governá-los. Fariseu significa
"separado." Quanto à sua origem iam até ao tempo de Judas Macabeu,
quando o partido Hasidim se formou para se opor à posição fraca dos
sacerdotes e governantes. O partido Hasidim era conhecido como o
partido "devoto". A sua preocupação era a observância rigorosa da
lei cerimonial. No século II a.C., o partido Hasidim dividiu-se em
dois grupos: os Fariseus e os Essenos (ou Essênios). Os Fariseus
eram um grupo religioso fanático que queria obedecer à lei escrita
e também à lei oral, dando uma ênfase especial à observância da lei
oral. Preocupavam-se especialmente com a limpeza cerimonial. Os
Essenos eram ainda mais severos, acreditando que a pureza ritual só
podia ser conseguida pelo afastamento e isolamento da sociedade.
Não possuíam nada, renunciavam a tudo o que fosse vida normal,
incluindo o casamento. Como consequência, eram totalmente alheios à
vida política. Além de só comerem a comida que Deus aprovava como
"limpa", os Fariseus tomavam precauções meticulosas quanto ao
preparo desses alimentos. O preparo de cada refeição era um
acontecimento complicado. Depois havia o assunto de lavar as mãos
antes de comer. Não era por motivos de higiene, era o lavar
cerimonial das mãos. Procedia-se da seguinte maneira:
Despiam-se
os braços. Levantava-se um braço e deitava-se água pelos dedos
estendidos e virados para cima, de modo que a água corria pela mão
e pelo braço. Continuava-se a deitar água até chegar a uma
determinada linha marcada no antebraço. Esse mesmo braço era então
posto com a mão e os dedos virados para baixo. Era deitada água
nesse mesmo antebraço começando pelo ponto mesmo antes daquela
linha marcada, de modo que a água corria pela mão e saía pelos
dedos. Repetia-se o processo com o outro braço. Era a isto que
os Fariseus chamavam lavar as mãos antes de comer. Em geral o povo
admirava os Fariseus pelo seu zelo. Mas Jesus não nutria essa
admiração por eles. Criticou-os asperamente pelos seguintes
motivos: Estavam mais preocupados em parecerem boas pessoas do que
em obedecer a Deus. Gostavam de ser vistos como homens santos.
Procuravam sempre os lugares mais importantes na sinagoga e
gostavam que lhes chamassem "Rabi" quando eram cumprimentados no
mercado (Lucas 11:43). Gostavam que as suas obras fossem vistas por
toda a gente. Faziam um espetáculo da sua oração em público. Quando
oravam, certificavam-se de que todos reparavam neles. Jesus
chamou-lhes "hipócritas" ou "atores" (Mat. 23:13). Também lhes
disse que o que importa verdadeiramente é o que está no interior do
homem. Estas foram as Suas palavras:
"Ai de vós, escribas e
fariseus, hipócritas! Pois limpais o exterior do copo e do prato,
mas o interior está cheio de rapina (avidez) e de iniquidade
(satisfação dos próprios desejos). Fariseu cego! Limpa primeiro o
interior do copo e do prato, para que também o exterior fique
limpo." Mat. 23:25,26. Mesmo antes de Jesus já João Batista
tinha falado claramente contra eles, quando foram ter com ele para
o ouvir no deserto. Disse-lhes:
"...Raça de víboras, quem vos
ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de
arrependimento e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por
Pai a Abraão, porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode
suscitar filhos a Abraão. E também, agora, está posto o machado à
raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto é
cortada e lançada no fogo." Mat. 3:7-9. A propósito da palavra
"fogo", é interessante notar que, sempre que Jesus falou de
inferno, fê-lo quando se dirigia aos dirigentes religiosos (Mat.
23:15). A mensagem DÊle para o povo não era acerca do fogo do
inferno mas sim de um Deus de amor e de perdão, que esperava que
fossem a Ele, tal como fez o filho pródigo. Os Fariseus também
classificavam as pessoas comuns como "pecadoras" por não cumprirem
a prática religiosa. Os escribas consideravam as pessoas
"pecadoras" porque não conheciam os pormenores da lei oral, ao
passo que os Fariseus as consideravam "pecadoras" porque não
cumpriam os pormenores dessa lei, o que eles próprios também não
faziam. Criticavam-nas e desprezavam-nas. Jesus descreve a maneira
normal de os Fariseus orarem, na parábola dos dois homens que
subiram ao templo para orar. Contou o seguinte:
"O fariseu,
estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou,
porque não sou como os demais homens - roubadores, injustos e
adúlteros...jejuo duas vezes por semana e dou os dízimos de tudo
quanto possuo." Lucas 18:11. Mas era injusto classificar as
pessoas comuns, de fato, a maioria das pessoas, como "pecadoras" só
porque não observavam cada um dos pormenores da lei oral. Tinham
simplesmente desistido de guardar a lei de Moisés porque era
difícil demais. Tinham que trabalhar para ganhar a vida e não
tinham tempo para obedecer às leis religiosas, sofisticadas, que os
dirigentes religiosos tinham estabelecido. Jesus compreendeu a
situação do povo comum. Não tratou com as pessoas como os Fariseus.
Procurou estar com elas. Comeu na companhia de "pecadores". Passou
tempo com aqueles que se sentiam excluídos da presença e da benção
de Deus. Estavam tão obcecados com o obedecer às interpretações da
lei, em cada pormenor (pois entendiam que a salvação vinha da
obediência perfeita da lei), que ignoraram a mensagem de graça e
misericórdia de Deus. Mas Jesus não era assim. Quando os Fariseus O
criticaram por comer com "pecadores, Ele respondeu:
"Não
necessitam de médico os sãos, mas sim, os doentes. Ide, porém e
aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifícios.
Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao
arrependimento." Mat. 9:12,13. Os Fariseus procuravam agradar a
Deus através da atenção rígida que davam ao cumprimento da Lei.
Isto constituía um grande sacrifício. No entanto, Jesus disse-lhes
que o que era mais importante para Deus era mostrar misericórdia
àqueles que não tinham esperança (Mat. 23:23; Lucas 11:42).
Os Saduceus
Os Saduceus eram também uma seita religiosa e um partido político.
Juntamente com os Fariseus, formavam os dois principais partidos
políticos do tempo de Jesus. Mencionamos brevemente os Essenos, que
eram um dos partidos menores. Havia um outro partido de minoria que
eram os Zelotes. Estes acreditavam que Deus queria que os Judeus se
insurgissem através de uma ação militar contra as forças romanas
ocupantes. Por isso pregavam a violência e a revolta. Tinham como
modelo Finéias, que agiu com zelo no tempo de Moisés e que matou,
com uma lança, duas pessoas não cumpridoras da lei. O nome
"Saduceu" vem de "Zadoque", que foi um dos sacerdotes mais notáveis
que viveu no tempo de Davi e de Salomão. Os Saduceus surgiram no
tempo dos Macabeus, vindo dum grupo helenístico, que era a favor da
introdução da cultura grega na sociedade israelita. A maioria deles
era constituída por membros das famílias de sacerdotes, muito
poderosas, que governavam em Israel naquele tempo. De fato, os
sacerdotes desta família tinham desempenhado o papel de reis até
que os Romanos deram esta posição a Herodes. No tempo de Jesus, os
Saduceus ainda tinham um grande poder político, exercido através do
Sinédrio, onde eram a força dominante e cujo presidente era o
sumo-sacerdote que, como é obvio, era um deles. O Sinédrio era
composto de 70 membros. Os Saduceus e os Fariseus, em número igual,
constituíam a maioria dos membros. O resto dos lugares era ocupado
por escribas e anciãos. Os Saduceus estavam muitas vezes dispostos
a comprometer os seus valores na maneira como tratavam com os
Romanos e com outros, para manterem o seu "status" e as suas
posições de influência. Colaboravam plenamente com os Romanos para
evitarem revoltas armadas. Os sumo-sacerdotes contavam-se entre
eles. Como grupo, criam na lei de Moisés e na pureza levítica, mas
não aceitavam a palavra dos profetas. Não acreditavam em anjos, nem
em espíritos malignos. Também não acreditavam na ressurreição. Eram
um grupo tradicional que se baseava na razão e não na revelação. Em
relação à Palavra escrita, podemos dizer que a diferença
fundamental entre os escribas e os Fariseus, por um lado, e os
Saduceus, por outro, era que os primeiros acrescentavam a tradição
à Palavra, ao passo que os últimos tiravam partes da Palavra,
rejeitando a palavra dos Profetas. Jesus advertiu os discípulos
para que tivessem cuidado com o fermento dos Fariseus e dos
Saduceus (Mat. 16:5-12). Isto aconteceu depois de ter alimentado
5.000 pessoas, com cinco pães, e 4.000 pessoas, com sete pães. Os
discípulos pensavam que Jesus estava a criticá-los por não terem
levado pão com eles. Por isso explicou-lhes que estava, de fato, a
falar dos ensinamentos dos Fariseus e dos Saduceus, comparando-os
ao fermento. O fermento é farinha misturada com água, que, quando
deixada durante algum tempo, começa a fermentar e a azedar. Quando
se misturam farinha e água de novo, o fermento afeta toda a
mistura. Ao cozê-la, a massa cresce, produzindo pão com bom
aspecto. Mas o pão sem fermento é feito com massa nova. É raso e
sem grande aspecto, mas é mais nutritivo. A palavra de Deus é
comparada ao pão, nas Escirturas.
"O homem não viverá só de pão,
mas de tudo que sai da boca do Senhor viverá o homem." Deut.
8:3. A palavra de Deus alimenta-nos espiritualmente. O problema
é que os homens, muitas vezes, pensam que podem melhorá-la e
fazê-la mais atraente. Jesus avisou acerca do fermento dos
dirigentes religiosos, isto é, acerca do ensinamento que
acrescentavam as suas interpretações e tradições. Jesus disse aos
Fariseus que eles invalidavam a palavra de Deus pela sua tradição
(Mat. 15:6).
Fonte: O Filho Amado de Thomas Black
Wilson.
Entre 1947 e 1956,
centenas de manuscritos antigos – incluindo cópias de quase todos
os livros do Antigo Testamento – foram descobertos, dentro de
grandes vasos de barro, escondidos em 11 cavernas, nas montanhas do
lado oeste do Mar Morto. Ao analisar sua escrita e submetê-los a
testes radiométricos, os arqueólogos ficaram pasmos ao constatar
que esses documentos tinham cerca de 2 mil anos de idade! Alguns
haviam sido escritos nos dias de Jesus e outros até dois séculos
antes!
Quem teria escrito os famosos Manuscritos do Mar Morto? Por que
teriam sido escondidos nas cavernas do remoto e inóspito Deserto da
Judéia? Que segredos eles escondem? Essas perguntas continuam sendo
debatidas até hoje por arqueólogos, historiadores, filólogos e
teólogos. Mas algumas respostas surpreendentes já foram
encontradas.
Uma dessas surpresas ocorre num manuscrito conhecido como MMT
(abreviatura da expressão hebraica Miqsat Ma-ase ha-Torah =
importantes obras da lei). Esse é o único escrito, fora da Bíblia,
que usa a expressão “obras da lei”. Antes de sua descoberta, essa
expressão só aparecia nos escritos do Apóstolo Paulo, onde severas
críticas são feitas às “obras da lei”. Paulo ensina, por exemplo,
que “o homem não é salvo pelas obras da lei” (Gálatas 2:16) e que
“todos aqueles que são das obras da lei estão debaixo da maldição”
(Gálatas 3:10).
O que Paulo queria dizer por “obras da lei”? Alguns acharam que ele
estava se referindo à obediência à Lei de Deus e concluíram, muito
apressadamente, que os cristãos não precisavam mais obedecer aos
Dez Mandamentos. O MMT, contudo, aponta para um significado
totalmente diferente.
Seis cópias fragmentárias do MMT foram descobertas nas cavernas do
Mar Morto, indicando que, provavelmente, muitas outras cópias foram
feitas e distribuídas. O MMT é uma carta, com mais de 130 linhas,
que tenta convencer seus leitores a praticar as “importantes obras
da lei” e, para nossa grata surpresa, ele faz uma lista de cerca de
20 dessas práticas religiosas, consideradas extremamente
importantes pelo autor do MMT. Entre elas está: (1) não usar
tecidos em que se mistura lã e linho; (2) não colocar debaixo do
mesmo jugo animais de espécies diferentes; (3) não semear grãos de
espécies diferentes no mesmo campo; (4) não lavar utensílios em
água corrente – pois poderiam se contaminar com o que tivesse sido
lavado corrente acima; etc. O MMT, evidentemente, interpreta e
amplifica, de maneira extremada e distorcida, os ensinamentos do
Antigo Testamento. Sua preocupação é com a preservação da pureza,
em não misturar o puro com o impuro, em não incorrer no erro do
“jugo desigual”. O MMT considera tais práticas como essenciais para
a religião.
O apóstolo Paulo se posiciona firmemente contra esse ensinamento
que, como nos mostra o MMT, parece ter sido bastante difundido
naquela época. O MMT comete o erro de achar que impureza é uma
questão externa, ritualística, e não moral, do íntimo do coração.
Para Paulo, uma religião meramente exterior e ritualística não têm
qualquer virtude, porque todos somos “justificados pela fé em
Cristo, e não pelas obras da lei, porque pelas obras da lei ninguém
será justificado” (Gálatas 2:16). A Lei de Deus, porém, continua
sendo “santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos
7:12).
Jorge Fabbro é arqueólogo e presidente da Associação de Amparo
à Criança e ao Adolescente (Educriança)